domingo, 25 de setembro de 2011

Deuses e Mundos

O tempo começa com a vinda dos deuses. Eram inúmeros naquela época. Dentre tantos, existia Los, uma entidade de fogo que nadava pelo oceano negro. Também haviam os anjos. Dois deles figuravam de maneira especial para Los: Ane e Ani. Ane definia-se como a Dama de Prata, por seus trejeitos régios e sua pele de um prateado níveo. Seu irmão Ani era como um conjunto ramificado de raízes e galhos que se delineavam em traços humanóides. 

A sina de ambos anjos era não possuir asas, por isso viviam em torno de Los. Tal relação tornava-se mais um motivo de honra, orgulho. Era uma obsessão afinal. E também um motivo para disputas acirradas. O que de melhor poderia ser oferecido para Los? Ani tinha muitas idéias. Ofereceu a Los espectros de existência efêmera corporificados através de água e terra, chamou-os de seres vivos. 

Por sua vez, Ane, outrora orgulhosa pela sua beleza arrebatadora, ficou perdida na vergonha de não ter nada a presentear o amado Los, e então gritou por seus ancestrais e por deuses sombrios. E assim na aurora do tempo, ela concebeu sua obra: chamou seu irmão a sós e com um movimento rápido tomou sua vida e utilizou o seu corpo como molde. E dessa forma se fez um novo servo a Los, Arret, um ser destinado a abraçar formas de vidas em sua superfície geodésica.

Tal incrível concepção absorveu de tal forma a atenção de Los, que Ane se enraiveceu, desejava ser vista daquela forma por Los. E então motivada pela inveja tentou fazer o mesmo consigo: sacrificou a sua vida. 

Como resultado, nasceu a criatura Aluh, a cintilante prateada, destinada a seguir eternamente Arret em um misto de rodopios e estranhos passos. Uma eterna dança de amor.

E tudo isso ocorreu no tempo de Kah.

Um comentário:

  1. Intrigantemente peculiar!
    Adoraria saber como você concebeu os nomes deles, também daria um ótimo conto, conheceríamos parte do funcionamento da mente Adrianística...

    ResponderExcluir