Em um tempo remoto a relva, verde e resplandescente, tomava conta de tudo se estendendo infinitamente pelo horizonte nebuloso. Um paradigma de profunda paz e silêncio às vezes quebrado por um sussurro de ondas, trazidos pelo pacato vento das longínquas praias, uma realidade onírica diante da floresta esmeralda que cobria ubíqua, ante um dia que despontava no alvorecer de um promíscuo delírio na mente de antigos deuses.
Neste paraíso da natureza, uma gota de água pendurava-se na ponta de uma folha, agitando-se sempre que o vento urgia pelos campos verdes. Mas por sobre isso se escondia o aforismo da insanidade e do conhecimento além da compreensão de qualquer mortal.
A gota continuava insistentemente a equilibrar-se, ignorando a ventania incessante. Mas a gota era mais do que se podia ver, pois se aproximando perceberia que em uma minúscula gota de orvalho, abrigava-se uma enorme quantidade de criaturas, simples seres unicelulares, amorfos diante do gigantesco mundo ao seu redor. Adentrando mais pela gota, poderia-se ver seus átomos constituintes, formados por esferas de poder e energia que circundavam um globo, cuja força primordial mantinha a poderosa ligação entre os pilares da realidade desde o começo da Criação.
Porém o fim não se encontrava aí, e então a viagem prossegue penetrando ainda mais pela partículas elementares, onde teria-se a visão de milhares de pontos luminosos afastados por distâncias incalculáveis, uma sublime cena de entorpecente grandiosidade. Aprofundando-se nesse enigmático quadro, revelaria-se grandes estrelas e muitos planetas, um universo imensurável.
Uma enorme diversidade de criaturas, raças, povos e culturas, cercadas por uma vastidão do eterno vazio, isolando cada um em seu prosaico mundo, onde a óbice da solidão os moldaria para as conquistas do espaço sideral, quando a transcendente concepção do Tamanho os ofuscaria, deixando os prostrados diante do recôndito e metafísico mistério da vida.
E em meio a esse gigantesco universo haveria, dentre os vários planetas, um que revelaria uma cintilante relva, encobrindo o solo como um grande tapete verde. E de uma pequena folha despencaria uma gota de orvalho, vencida pela força contínua do vento, empurrada em direção ao chão, cairia lentamente, aguardando o pouso inevitável, onde a gota se desfaria, desvanecendo assim como o amargo som do fim de mundos distantes.
Este é pura física! Do infinitamente pequeno ao infinitamente grande!
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