domingo, 25 de setembro de 2011

Incômodo

A garota de olhar felino e ar pomposo desata a falar:

- Sabes aqueles ali em cima vestidos de branco? Estes são os mais antigos e influentes nestas terras. Não há como não mencionar os seus nomes. E não encontrarás par para suas obras. Eles são nossas iluminárias.

Ele ainda estava perdido, mal sentia suas próprias mãos, seus joelhos tremiam. Não, não era a emoção do lugar. Era um incômodo impronunciável e que mal podia explicar.

- Ignores os que não possuirem o brasão da ordem. Nem mesmo se tentarem falar contigo. Há certos patamares que estes pobres diabos não deveriam se atrever a cruzar. Milton compreendia essas coisas. Soube até descrevê-los a um nível interessante e humano. Mas o que resta de humanos nestes? Não me respondas. Não existe boa resposta. Apenas inquietações neste lado da fronteira. Sonhos deveriam ser assim. Talvez fosse mais proveitosos, mais úteis para o porvir, para quando o mundo seguisse adiante...

Aproveitando uma pausa de sua companheira verborrágica, não pôde evitar perguntar:

- Isto não é um sonho?

Todos no salão começaram a gargalhar. Ele subitamente lembrou do instante em que a espada atravessou seu peito, do sangue jorrando e de uma garota altiva lhe oferecendo uma salvação por um preço ainda desconhecido.

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